rentabilidade em precatórios

Rentabilidade de 4% ao mês ao investir em precatórios

Ao ler o título deste artigo você já deve estar pensando: “É pirâmide! Não vou cair nessa.” Ao investir em precatórios, essa rentabilidade realmente parece coisa de outro mundo. Afinal, em apenas um mês ela gera 33% a mais do que o investimento em CDI por um ano inteiro. 

Uma rentabilidade de 4% ao mês gera, ao longo do ano, incríveis 60,01% de retorno. Após dois anos, já é possível obter 156% de retorno. Esta é a mágica dos juros compostos. O cenário é melhor ainda quando lembramos que o CDI está atualmente em 3% ao ano. Quer entender como isso funciona? Então acompanhe a leitura até o fim!

Como os juros compostos funcionam na prática?

O físico alemão de origem judaica Albert Einstein já dizia: “Juros compostos são a oitava maravilha do mundo. Aquele que entende, ganha. Aquele que não entende, paga.” Não há qualquer comprovação de que ele realmente tenha dito isso, mas a frase é genial.

10 anos

Voltando aos números, vamos imaginar um investimento inicial de apenas R$ 10.000,00 com rentabilidade de 4% ao mês. Após 10 anos, o valor acumulado será de R$ 1.106.626,22. Pouco mais de R$ 1 milhão. É um número alto, mas que não te proporciona a liberdade de gastá-lo sem se preocupar.

20 anos

Depois de 20 anos, com um único aporte de R$ 10.000,00, o patrimônio será equivalente R$ 122.462.092,69. Assim, já é possível realizar muitos sonhos, mas ainda não daria para comprar um Bombardier Global 7500, jato mais caro do mundo que chega a custar R$ 300 milhões.

30 anos

Se o investimento ficar rendendo por 30 anos com a taxa de retorno mensal de 4%, o acúmulo será de R$ 13.551.968.779,40. É mais de R$ 13 bilhões. Parece muito? Ainda é pouco se considerar o patrimônio do economista e empresário Jorge Paulo Lemann, uma vez que o seu patrimônio estimado atualmente é de 54,6 bilhões.

40 anos

Quem começa a investir por volta dos 20 anos e deixa o seu investimento em precatórios rendendo por 40 anos, a uma taxa de 4% ao mês, chegará aos 60 anos com uma fortuna de R$ 1.499.695.569.067,45. Quase R$ 1,5 trilhão! Com esse valor, você seria a pessoa mais rica do mundo nos dias de hoje e teria o equivalente a 20% do PIB do Brasil (estimado em 7,3 tri).

Apenas para fins de comparação, esse investimento após 40 anos é equivalente à soma do valor de mercado da Petrobras, Ambev, Vale, Banco do Brasil e Itaú. (em 31/12/2019)

Investimento após 40 anos R$1.499.695.569.067,45
Petrobras (31/12/19) R$407.219.000.000,00
Ambev (31/12/19) R$293.678.000.000,00
Itaú Unibanco (31/12/19) R$336.227.000.000,00
Vale (31/12/19) R$273.337.000.000,00
Banco do Brasil (31/12/19) R$150.588.000.000,00
comparativo investimento
Fonte: Valores do site Infomoney de 2019

 

Exemplos reais

Portanto, através dessa perspectiva, não parece nem um pouco sustentável um investimento que proporcione uma rentabilidade assim ao longo de muitos anos. Warren Buffet, considerado o melhor investidor de ações de todos os tempos, conseguiu um retorno médio de 20% ao ano, desde 1960. Já Peter Lynch, gestor do Fidelity Magellan Fund entre 1977 e 1990, conseguiu um retorno acima de 29% ao ano em média.

Vale lembrar que, ao investir em precatórios, o total disponível é de aproximadamente R$ 140 bilhões. Dessa forma, após 35 anos, você teria que ter comprado todos os precatórios do Brasil para ter esse retorno. Sem esquecer que o investimento inicial foi de apenas R$ 10 mil, sem qualquer novo aporte.

Tudo bem! Já deu para perceber que a promessa de um retorno assim não parece ser sustentável. Então, é hora de ver como funciona o processo de investimento em precatórios e como é possível obter até 30% de retorno ao ano.

Como é a rentabilidade ao investir em precatórios?

Primeiramente, vale diferenciar os precatórios que estão no regime geral e especial. O regime geral representa os devedores que cumprem o prazo previsto no §5º, artigo 100, da Constituição de 1988 e pagam em, no máximo, 2 anos e meio. Já os devedores presentes no regime especial estão em mora no pagamento e são regidos pelo artigo 101, do ADCT, da Constituição de 1988.

O ente federado mais conhecido em regime geral de pagamentos é a União, representada também pelas suas autarquias (INSS, Bacen…), fundações (FUNDEB, FUNDEF…) e empresas públicas (Correios…). Precatórios da União e de entidades da sua administração indireta são pagos em, no máximo, 2 anos e meio. Por exemplo, um precatório expedido em 2 de julho de 2020 terá como data de vencimento o ano de 2022. Dessa forma, poderá ser pago até dezembro do referido ano. 

Deságio

Via de regra, o deságio em precatórios federais gira em torno de 25% a 35% do valor. Ou seja, para um precatório de R$ 1 milhão será pago entre R$650 e R$750 mil. Importante esclarecer que esse % de deságio deve ser aplicado sobre o valor líquido atualizado do precatório. Por isso, é preciso descontar todos os tributos (imposto de renda e previdência) e aplicar correção monetária pelo índice presente no título executivo, geralmente é o IPCA.

Em uma situação hipotética, vamos considerar um deságio de 30% em relação ao valor do precatório e prazo de pagamento de 1 ano e meio. Dessa forma, um precatório de R$ 1 milhão adquirido por R$700 mil hoje (junho/2020) será pago somente em dezembro de 2021. Neste cenário, podemos considerar a seguinte projeção (IPCA 2,5% e SELIC 3% ao ano):

projeção 1

A tabela acima seria utilizada caso não tivesse qualquer custo de originação, diligência, análise processual para minimizar os riscos e escrituração. Contudo, esses gastos existem e não são pequenos. Portanto, é preciso considerá-los. Após aumentar R$50 mil, relativo aos custos operacionais, chega-se à seguinte rentabilidade (tabela abaixo). Os R$50 mil são equivalentes a 5% do valor líquido do precatório — taxa estimada utilizada pelo mercado. É ainda menor do que a cobrada por corretores de imóvel (6% a 10%).

projeção 2

O imposto sobre ganho de capital é calculado a partir da diferença entre o valor a ser recebido no futuro e o valor de aquisição do precatório. Uma vez que o ganho de capital nessa operação está entre R$300 mil e R$340 mil, aproximadamente, a alíquota a ser aplicada é de 15%.

Mesmo no pior cenário possível (pagamento em 18 meses dezembro de 2021) a rentabilidade ainda é boa: 700% do CDI. Vale considerar que nos últimos anos o pagamento dos precatórios ocorreu entre maio e junho. Neste caso, a rentabilidade anual ficaria por volta de 30%.

Variáveis

Assim sendo, existem algumas variáveis para o cálculo de valor de um precatório federal. No caso dos precatórios estaduais e municipais, que estão no regime especial ,a conta é bem mais complexa. Para estimar o prazo de pagamento, é preciso analisar a situação fiscal de cada devedor, a vontade política de reduzir a fila de pagamento e o montante de precatórios que aguardam há anos para serem quitados, entre outros fatores.

Por terem uma complexidade maior, negociando antes de seu vencimento para empresas ou até mesmo com o governo, há a possibilidade de obter um retorno ainda maior. Aliás, investir em precatórios pode ser, inclusive, tratado como renda variável.

Dessa forma, é razoável concluir que retornos milagrosos não existem. É preciso desconfiar ao se deparar com promessas de ganhos rápidos e fáceis, além de questionar o lastro da operação e a lisura da empresa que está ofertando. Para isso, basta verificar se os seus sócios são conhecidos no mercado, há quantos anos atuam e o histórico de suas operações.

Portanto, investir em precatórios é uma boa alternativa para o investidor que busca diversificar sua carteira. No entanto, vale lembrar da falta de liquidez e ter em mente que o seu dinheiro pode ficar “preso” por um ano ou muito mais (dependendo do devedor).

Quer saber mais sobre como investir em precatórios? Entre em contato com a nossa equipe e envie a sua dúvida. Estamos aqui para ajudar!

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