risco em precatórios

Risco em precatórios: o que levar em conta ao investir?

O risco é inerente à vida humana. Desde o princípio de nossa existência convivemos com diferentes tipos de risco todos os dias. Em qualquer atividade que a gente faça ou em qualquer tomada de decisão, eles estão lá! É da nossa natureza tentar minimizá-los a fim de evitar que eles levem a um dano real, embora a gente não consiga eliminá-los de forma definitiva. Assim sendo, também há o risco em precatórios para quem deseja investir neste mercado.

Esse tipo específico impacta os investidores e está relacionado à possibilidade de perda do capital investido. Além do retorno esperado, do prazo para o recebimento e da facilidade para comprar ou vender o ativo, todo investidor deve ponderar os riscos a que está se submetendo. O precatório, assim como outros investimentos, possui determinado nível de risco e, antes de investir, é preciso conhecê-los. Acompanhe!

Os principais tipos de riscos nos investimentos

Na internet é comum ver influencers ou empresas mostrando oportunidades sem risco ou com risco muito baixo. Contudo, eles raramente informam o investidor, com precisão, sobre a real segurança do investimento.

Quantas vezes você já ouviu falar em risco de mercado, operacional, de crédito, de câmbio, de liquidez, sistêmico, não sistêmico e de concentração? Pois é, imagino que poucas vezes. Por esse motivo, vou apresentar abaixo um resumo do que significa cada um deles.

Risco de Mercado

O Risco de Mercado tem a ver com as eventuais oscilações de um determinado produto financeiro no decorrer do tempo. Desse modo, ocorre com mais frequência em ativos financeiros negociados na Bolsas de Valores.

Risco Operacional

Risco Operacional é a possível perda resultante de falha, deficiência ou inadequação de quaisquer processos internos, o que pode envolver pessoas, sistemas ou eventos externos e inesperados.

Risco de Crédito

Risco de Crédito é o eventual não cumprimento pelo tomador dos recursos (pessoa que recebe/pega emprestado) de suas obrigações financeiras. Também pode ocorrer a partir da desvalorização de contrato de crédito.

Risco Cambial

O Risco Cambial está relacionado às perdas financeiras em negociações e flutuações que sofrem influência das taxas de câmbio.

Risco de Liquidez

O Risco de Liquidez constitui-se na possível perda de capital a partir da necessidade de se desfazer de um determinado ativo em tempo menor do que o previsto, convertendo-o em dinheiro.

Risco Sistêmico e Não Sistêmico

Os riscos são classificados em dois grandes grupos: sistêmicos e não sistêmicos. O Risco Sistêmico abala a economia de forma generalizada, a exemplo de um colapso no mercado financeiro ou de capitais, como o que vimos nas crises de 1929 e 2008. Em contrapartida, o Risco Não Sistêmico é específico para uma empresa ou setor e, por essa razão, pode ser reduzido através da diversificação da carteira de investimentos.

Risco de Concentração

O Risco de Concentração ocorre quando o investidor não diversifica seus investimentos, seja na mesma classe ou em classes distintas. O não estabelecimento de limites de concentração aumenta a exposição do investidor aos demais riscos apresentados.

Risco em precatórios: saiba o que avaliar

Ao conferir a lista de riscos atrelados aos investimentos e verificar que somente o risco de liquidez e crédito aplicam-se aos precatórios, pode-se afirmar que investir em precatórios é seguro. E, mesmo sendo possível verificar esses riscos, o investidor consegue minimizá-los ao escolher bem os ativos que está comprando. Dependendo do devedor, o risco de crédito é pequeno e há grande liquidez no mercado, como para os precatórios federais.

Além disso, é imprescindível fazer análises no processo judicial e em relação ao titular para minimizar as chances de não recebimento do precatório.

A Mercatório sempre divulga os principais riscos de cada oportunidade disponível. Porém, o investidor precisa ficar atento a alguns riscos na hora de investir em precatórios. É o que veremos a seguir.

Falta de liquidez

O mercado secundário é restrito e pode haver pouca liquidez antes do prazo de liquidação. Assim, o precatório comprado é um ativo que geralmente é carregado até o seu efetivo pagamento pelo devedor.

Default no prazo de pagamento

Nos precatórios federais o prazo para pagamento é até o final do ano de vencimento, conforme estabelece a nossa Constituição. Historicamente, não há atraso no acerto de contas, mas a data exata costuma ser revelada poucos meses antes. Nos últimos anos o pagamento de precatórios ocorreu no segundo semestre — entre julho e setembro.

Risco de mercado

O precatório é um ativo judicial e, por isso, depende de uma análise jurídica minuciosa para evitar problemas na hora do recebimento. A avaliação leva em conta, principalmente: cálculos, possíveis vícios processuais, existência de recursos pendentes de julgamento, dívidas ajuizadas e certidões negativas do beneficiário.

A importância de uma boa gestão de riscos

O gerenciamento dos riscos é algo que os investidores devem fazer, mas nem todos sabem o que é. Primeiramente, é preciso compreender que todo investimento, sem exceção, por mais simples que seja, tem risco. Até mesmo os títulos públicos negociados no Tesouro Direto possuem riscos. Para quem não acredita, basta conferir os calotes que alguns países (como a Argentina) já deram em seus credores.

Portanto, quando o investidor começa a considerar o risco como a parte do investimento que não pode ser prevista, ele está preparado para assumir uma postura ativa e mais segura em relação ao seu patrimônio.

Enquanto alguns ativos são mais voláteis e possuem um maior risco (como as criptomoedas), outros já são mais seguros e estáveis — certificados de depósitos bancários e os precatórios, por exemplo. Se o CDB tem a proteção do Fundo Garantidor de Crédito, o risco de um precatório federal não ser pago por insolvência do devedor é muito baixo. É praticamente nulo, uma vez que as hipóteses de um estado decretar falência são baixíssimas.

Ainda que os métodos e análises sejam sempre suscetíveis a falhas, há várias formas de fazer a gestão de risco dos seus investimentos. A grande maioria delas passa pela análise de dados históricos e ameaças em potencial. O Value-at-Risk (VaR) é uma fórmula muito utilizada para estimar a perda máxima de um investimento em um período de tempo. Já o Stress Test é aplicado em cálculos de perdas diante de crises.

Perfil de investidor

Para ter uma boa gestão de riscos o investidor deve conhecer o seu perfil. De modo geral, a classificação inclui três tipos: conservador, moderado e arrojado.

Mesmo cientes do retorno menor, os conservadores preferem investimentos de baixo risco. Eles priorizam a liquidez e não costumam deixar seus recursos investidos por muito tempo de uma só vez. Por isso, as recomendações são a caderneta de poupança e os títulos públicos.

Enquanto isso, os investidores moderados preferem investimentos com risco médio. Ou seja, nem tão conservadores, nem tão arriscados. É comum que invistam em ações de empresas tradicionais, com alto valor de mercado, e em certificados emitidos por instituições financeiras. Esse tipo de investidor não está muito preocupado com a liquidez e costuma deixar seus recursos investidos por mais tempo.

Já os investidores arrojados estão sempre à procura de altos retornos, mesmo que signifique perdas frequentes. Para evitar que as perdas superem os ganhos, são adeptos da diversificação. Dessa forma, esperam que a rentabilidade em determinados ativos seja tão alta a ponto de cobrir as perdas.

Vale destacar que a compra de precatórios é uma prática antiga e amparada tanto pela Constituição da República de 1988 quanto pelo Código Civil de 2002. O risco em precatórios não mudou muito ao longo dos anos, mas a forma de analisar o crédito e formalizar o investimento sim. A digitalização dos processos facilitou a análise e a divisão do ativo em frações possibilita o acesso de investidores não profissionais,  democratizando o investimento.

Agora que você já conhece os riscos, saiba como investir em precatórios e tome a melhor decisão sobre o seu dinheiro.

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